Dublin para uma brasileira

Vithória Escobar, 24 anos, mora em Dublin, Irlanda, desde 2016.

Como foi a escolha da Irlanda?

Quando escolhi a Irlanda não tinha muitas expectativas e conhecia pouco do país. Minha mãe sempre me incentivou a ter uma experiência fora do Brasil depois que eu acabasse a faculdade e quando fui ver os possíveis destinos dei preferência para aqueles que eu pudesse, além de estudar, trabalhar legalmente. Na época as melhores opções eram Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Irlanda. Em nenhum momento pensei em ir para um lugar onde não se falasse inglês, até porque um dos focos era melhorar o idioma, mas hoje penso nessa possibilidade. Acabei escolhendo a Irlanda por ser mais central e me permitir acessar mais lugares com facilidade, até porque a Europa é muito pequena e fácil se deslocar. Cheguei a ir até Edimburgo, consegui conhecer bem a cidade e voltar para casa no mesmo dia, por exemplo. Além disso não senti muito apelo pelos outros países.

Por não conhecer tanto sobre o país, isso gerou alguma insegurança na hora de tomar a decisão de se mudar para lá?

Deu muito medo porque quando eu vim para cá, não tinha ninguém aqui próximo a mim. Além disso, na época eu estava em uma fase muito feliz no Brasil. Estava saindo e me divertindo, ia ser promovida no trabalho que eu gostava e mesmo assim eu abri mão de tudo isso, então dá medo sim, mas chegando aqui eu senti que a cultura da Irlanda é muito receptiva e bem acolhedora no geral. Óbvio que passei por algumas situações que atestam o contrário, mas não me arrependo da escolha. Vim para ficar oito meses e voltar, mas depois quis ficar mesmo com a Irlanda tendo seus defeitos. No começo não morava em uma casa tão boa, estudava e trabalhava de domingo a domingo, tinha minhas dificuldades, mas eu senti que me tornei mais adulta. Quis ficar por sentir que tinha crescido muito aqui e achei que tinha espaço para mais crescimento. Na Irlanda consegui me conectar comigo mesma de um jeito diferente. Em 2015, quando eu estava no Brasil já foi um ano muito importante para mim, acho que amadureci também, mas aqui foi muito mais, tive que me preocupar com coisas reais. Até brincava com meu vizinho que quando a gente ia tomar uma cerveja sentia saudades de falar sobre futilidades pois só falávamos de “coisas de adulto”: documentos, casa, trabalho. Falo isso sem reclamar, acho que isso é algo positivo.

E como você tomou a decisão de ficar depois dos oito primeiros meses vivendo aí?

Novamente devo muito a minha mãe porque ela sempre me impulsionou e me deu força pra ir além. Quando eu vim pra cá ela sempre falou que eu tinha que pensar maior, ver a chance de fazer uma pós, arrumar um trabalho. Quando foi chegando perto da época, completei seis meses aqui e tinha acabado de ficar estabilizada financeiramente, porque demorei uns quatro meses para conseguir um emprego fixo, mesmo com a facilidade de já ter vindo com o inglês bom. Depois de um mês trabalhando, estando estabelecida e com meu curso de inglês acabando, tive a sensação que ainda não estava pronta para voltar. Senti que tinha mais coisa para fazer aqui, crescer mais, viajar… Antes disso só estava na função de juntar dinheiro. A opção mais comum para ficar no país seria renovando o curso de inglês, mas já estava no nível da fluência, não tinha o porquê. Aí fiquei aqui trabalhando e iniciei um mestrado na minha área. Fiz alguns bicos de garçonete, empregada doméstica e cleaner. Mas meu primeiro trabalho foi montando sanduíches em uma loja, onde trabalho até hoje. Depois de um tempo passei para o caixa e agora estou no post office.

E teve algo na sua adaptação que te surpreendeu?

Quando cheguei fiquei em uma casa de família. Tive muita sorte porque minha host Family era bem querida, unida e tranquila. O que eu estranhei foi que na Irlanda, em geral, se come muito mal: muita coisa processada e sem muito tempero. O jantar as vezes era uma comida de micro-ondas, uma pizza, congelados… além de eles tomarem muito refrigerante. No almoço é comum comer um sanduíche. Também me surpreendi com o consumo de álcool, principalmente entre os mais velhos. Tenho a impressão que são os que mais bebem. O copo de pint equivale a mais ou menos 500ml e alguns bebem facilmente mais de 10. Quando eu trabalhava de caixa também era muito comum eles comprarem vodka e refrigerante/energético e beberem normalmente. Por ultimo, o consumo de heroína. Ja presenciei algumas pessoas injetando ou fumando na rua, muito triste e assustador.

E como é sua relação com a comunidade brasileira aí?

Estar na Irlanda me fez valorizar muito mais o Brasil como um todo. Meu primeiro contato  com brasileiros foi na escola de inglês. Na minha turma tinha bastante gente de vários lugares. Eu estava na cantina da escola, pedi um café, estava meio perdida. Na Griffith [Universidade em Dublin] tem gente de todo lugar, até por isso escolhi lá. Ouvi duas pessoas falando português e comecei a me enturmar. Tem gente que vem para Irlanda e parece que não sai do Brasil, eles só vão em lugar que tem brasileiro, saem com brasileiro, só falam português. E é fácil, porque você acha brasileiro em todo lugar, são a segunda maior população de imigrantes. Foi bom para mim inclusive ficar na host Family no começo porque era um bairro bem local, chamado Ballinter, com menos estrangeiros, enquanto no centro você tem contato com mais brasileiros e imigrantes, lá tinha menos.  Mas acho importante também construir uma rede de contatos com brasileiros. Os brasileiros têm um calor e uma interação muito única e você sente muito esse impacto aqui porque mesmo com as pessoas sendo legais é diferente, a gente é mais caloroso. Além disso eu sinto saudades da cultura. É reconfortante comer a comida, escutar a música, ter alguém para dividir as coisas.

Você chegou a ter um relacionamento com um irlandês aí né?

Sim, foi legal por que ele me contava muita coisa da Irlanda, ele gostava bastante de história e o pai dele também. Me ensinaram muita coisa. Tive muito contato com a cultura irlandesa por isso e sou muito grata a eles. É diferente aprender com alguém local. Eu tive sorte também, porque, como tinha dito, trabalhei em um bairro bem local [Terenure] onde a maioria dos clientes e os colegas de trabalho eram irlandeses, o que ajudou nessa ambientação.

E como foi namorar alguém que cresceu em uma sociedade com outra lógica cultural?

É diferente, tem lados negativos e positivos. Pode parecer idiota, mas você perde algumas coisas. Eu senti falta em por exemplo compartilhar um meme, que não dá pra explicar ou traduzir, escutar uma música brasileira, compartilhar coisas cotidianas da nossa cultura. Sentia falta porque gosto muito da cultura brasileira, mas é uma questão minha. Tem algumas situações chatas também. Por exemplo, quando você chega com uma pessoa de fora em um ambiente onde só tem brasileiro é complicado. As vezes as pessoas não se sentem à vontade em falar inglês. Sei que as vezes parece falta de educação, mas acho que é mais pelo lado da comodidade ou não falam tão bem o idioma. Então é inevitável essa função de ficar traduzindo ou ficar com aquele sentimento de preocupação de que a pessoa está se sentindo excluída. Você não tem como controlar as outras pessoas, mas eu também não as culpo. Se está em uma roda pequena e todo mundo falando português é muito chato, mas se tem muita gente não tem como controlar. Mas não acho que faça sentido não ficar com alguém simplesmente por não ser brasileiro/a, é algo adaptável. Além disso também é muito legal enxergar a cultura brasileira pelo ponto de vista de um estrangeiro, os dois lados acabam aprendendo bastante com essa troca.

E vivendo agora em um relacionamento com outra mulher, como você percebe a relação da sociedade irlandesa com a homossexualidade?

A Irlanda é extremamente católica e a população mais velha, que é grande e extremamente tradicional, tem mais essa questão, enquanto a nova geração é muito progressista. Porém já passei por casos de homofobia aqui. Uma vez eu e a Thay quase fomos expulsas de um táxi por eu ter colocado a mão em cima da perna dela. Mas apesar disso eu nunca me senti estranha segurando a mão dela em público por exemplo, enquanto no Brasil eu jamais me sentiria com a mesma liberdade. Me sinto até mal porque me sinto alienada nesse sentido, já que eu não sei como deve ser a preocupação que um casal de lésbicas deve sentir ao andar na rua, principalmente com o governo novo. Você não sabe quais são as pessoas na rua que votaram nesse cara e perpetuam com essa ideia. É uma coisa muito simbólica dele. Sei que tem gente que votou nele e não faria nada, mas não tem como saber quem pensa o que. Eu tenho o privilégio de nem pensar sobre isso quando saio com minha namorada na rua, eu pego na mão dela, dou beijo e não estou nem aí. Por mais que as vezes você perceba olhares estranhos de vez em quando não é algo que me preocupa, acho difícil algum dia uma situação dessas descambar para violência. Sem dúvidas no Brasil você tem que tomar muito mais cuidado

No ano passado a Irlanda, que era um dos últimos países europeus que criminalizava o aborto, legalizou a pratica através de um plebiscito. Como foi para você conviver com as campanhas a favor e contra e como esse debate se deu aí?

A lei antiabortiva aqui era uma das mais rigorosas do mundo. Não permitia aborto nem em casos de acefalia e estupro, apenas em casos de risco de vida para mãe. Além disso a pena podia chegar até 14 anos. Acho que esse foi a sexta votação no congresso e depois de muitas, pela primeira vez teve uma maioria e colocaram para voto popular, o que eu acho muito bacana: toda a população pode opinar. O sim acabou ganhando com uma maioria considerável [66.4%]. A campanha deles estava muito maior, muito mais forte. Na campanha ficou claro que a geração nova da Irlanda tem outra cabeça, enquanto a população mais velha ainda é muito mais conservadora. Lembro que na época da votação eu estava indo trabalhar com um bottom do “Sim”. Apesar de imigrantes não poderem votar eu apoiava a campanha e alguns clientes vieram tirar satisfações. Teve um que me recitou trechos da bíblia, por exemplo, o que mostra que aqui na Irlanda essa questão era delicada por conta do catolicismo, o que tornava parte da população mais resistente. A campanha do “Não” se apoiava muito na ideia pró vida, de aspecto mais emocional. Os cartazes giravam na lógica de falar que abortar era assassinar bebes. É parecido com a campanha antiabortiva no Brasil e acredito que em todo o mundo.

E como funcionam os plebiscitos públicos aí?

Os plebiscitos não são obrigatórios, as pessoas têm que se registrar para poder votar. Tem com certa frequência. Recentemente saiu um sobre a lei que proíbe a blasfêmia, por exemplo, [A lei foi anulada após vitória nas urnas], mas o do aborto foi bem mais popular. As pessoas batiam de porta em porta fazendo campanha.

E como é a questão da moradia na Irlanda?

No geral é terrível! A qualidade de vida versus o preço e a negligência dos proprietários com os imóveis, é surreal. As moradias são muito caras para uma condição precária e um descaso tamanho dos landlords. Um estúdio de 30 metros quadrados pode chegar a 1200 euros por mês. Você vê pessoas em condições terríveis, como um amigo meu que já mudou umas doze vezes, chegou a morar em um lugar que era de chão batido, com três beliches em cada quarto, sem armário e custava 300 euros por mês. Não tem lugares decentes e os proprietários cobram absurdos porque as pessoas pagam, tem muita demanda e não tem muito o que fazer. Eles não estão nem aí, não investem na qualidade do lugar, só querem o aluguel e fim. Além disso se você vai fazer uma visita sempre tem varias pessoas na fila e se você é imigrante e estudante sempre é mais difícil, eles acabam dando preferência para famílias. Minha primeira casa aqui era velha, ruim mofada, um porão insalubre. Tive colegas de quarto muito bagunceiros, a casa era suja e velha, minhas roupas amanheciam mofadas e meu landlord não fazia nada além de ir recolher o nosso aluguel. Nunca vou me esquecer quando ele falou que ia arrumar um banco da cozinha pra mim (que estava quebrado por meses) e ele voltou com o banco colado com fita durex verde. Inacreditável. Claro que foi estressante nesse sentido, mas era legal porque me dava bem com todos e me divertia muito. Todo mundo que morava  lá era muito querido. Estávamos todo mundo no mesmo barco. E na verdade eu tive sorte porque quando eu vim para cá encontrei uma amiga que já morava aqui, então uma pessoa que ela conhecia saiu de uma casa, ela me mandou mensagem, fiz a entrevista e fui aceita. Normalmente não é assim fácil, tem pessoas que demoram meses pra conseguir uma vaga minimamente decente.

E sobre a burocracia da imigração?

O sistema de imigração aqui é muito burocrático. Quando eu cheguei ainda não tinha sistema de agendamento online, as pessoas tinham que acordar 5 da manhã e ir até o prédio da imigração, mas você pegava o visto no mesmo dia. Quando fui fiquei dezoito horas lá, cheguei 5h e sai 18h. Hoje tem o agendamento, mas não funciona bem, tem gente que paga alguém para agendar para você. É um esquema de pessoas que hackearam o site e vendem o horário. Na questão do atendimento, tive sorte porque nunca ninguém foi mal-educado ou rude comigo, mas nunca é algo agradável. O complicado é que se o agente de imigração simplesmente não for com sua cara tem o risco de ele pode implicar com você e complicar sua vida. Tem muitos casos de oficiais na imigração que chegam a pedir pra ver seu celular.

E xenofobia? É algo que acontece por aí?

Infelizmente é muito comum, e de muitas formas. Já passei por várias situações horríveis. Uma vez eu estava andando e gravando um áudio no Whats App e apareceu um homem meio que me imitando, balbuciando, debochando. Aí eu perguntei qual era o problema e ele ficou me questionando, perguntou quem eu achava que era, gritou que eu estava no país dele e não poderia falar português. Chegou até a me seguir. Parei na frente de um pub com bastante gente, ele gritou comigo mas acabou indo embora. Mas tem muitos casos de violência. Atualmente tem ocorrido muitos casos de agressões graves em entregadores brasileiros. São grupos de adolescentes irlandeses que provocam, atacam e batem em estrangeiros sem motivo algum. Ao meu ver, os irlandeses tem uma cultura forte com a briga, eles “gostam” de brigar e sabem como se defender. Isso não necessariamente é algo ruim e de maneira nenhuma significa que todos os irlandeses são violentos. No entanto, é muito frequente se deparar com esses grupinhos que parece tem gosto por fazer bullying e arranjar briga. Eles te provocam, jogam ovo, água, lata de tinta, até taco de baseball.

No ambiente de trabalho também já passei por algumas, mas a maioria não são assim, são sutis. As vezes as pessoas olham pra mim e vão no caixa da minha amiga, ou então eu não entendo alguma palavra e as pessoas interagem comigo como se eu fosse burra, se irritam, duvidam do que eu estou falando e vão falar com outra funcionária. Isso acontece com certa frequência, tem muita gente que tem opiniões não muito boas.

Tem também o infeliz estereótipo de que brasileiro vem pra Irlanda para conseguir passaporte, isso afeta principalmente as mulheres. É muito machista. As brasileiras são muito sexualizadas, eles acham que podem assediar, fazer e tratar como querem. Um ano e meio atrás dia eu estava andando pelo Temple Bar [região onde se concentram os pubs em Dublin] e um cara colocou a mão nas minhas partes íntimas. Foi chocante. Tem um grupo de brasileiras no Facebook onde direto vejo mulheres postando relatos horríveis.

Enfim, e bem desagradável ter que passar por tudo isso, dependendo da situação me abala bastante. Ser chamada de burra, estupida, ouvir um “go back to your country” ou “brazilian animal” é algo que machuca. Eu penso que o melhor jeito de reagir é quebrar a pessoa na educação, mas é difícil. Você tem que ser mais racional nessas situações, mas no calor do momento você fica tão nervoso que você meio que trava.

Como você cuida da sua saúde mental por aí?

Eu considero importante quando você está fora e não tem um apoio estrutural da família, criar uma rede de afeto forte com amigos, com as pessoas que você convive e contar com a ajuda delas. Aqui é muito fácil você sair do eixo justamente pela falta de estrutura emocional. O inverno é muito frio e escuro, o que pode mexer bastante com sua cabeça, se você não se cuida pode ficar depressivo. Ate por falta de vitamina D, algo fisiológico. Particularmente, sempre fui bem ligada a espiritualidade, tento buscar equilíbrio nisso. As vezes vou em uma casa de umbanda, faço terapias holísticas com regularidade, sou bem ligada nessa parte, isso é essencial para mim e me ajuda muito. Entretanto tem gente que não é tanto e é complicado, porque é muito estresse, pode mexer demais com sua cabeça. Aqui soma-se o fato de que as pessoas estão sozinhas, elas têm mais acesso e liberdade para usar drogas, o que pode ser perigoso.

As casas de umbanda são de imigrantes ou de irlandeses?

As casas de umbanda são de brasileiras, descobri uma vez quando fui tirar tarô. Me falaram que eu estava distante da minha espiritualidade, que precisava me aproximar mais disso e me sugeriram essa casa, que era a única de Dublin na época. Fui algumas vezes e ano passado abriu uma nova, que achei maravilhosa. As duas tem material informativo em inglês e são abertos para todos, mas a maioria dos frequentadores são brasileiros. Existem casos pontuais, mas na Irlanda eles são muito católicos, não conhecem muito de espiritualidade fora da lógica católica-protestante.

Como você enxerga seu futuro na Irlanda?

Eu quero continuar aqui porque pretendo construir uma carreira internacional, fazer o máximo que posso com essa oportunidade. Quero entrar no mercado de trabalho, trazer uma visão feminina, imigrante, LGBTQIA+ para dentro. A Irlanda está recebendo muitas empresas, se destacando no ramo de tecnologia e empreendedorismo, quero aproveitar  o momento para me amadurecer como profissional. Eu amo o Brasil, sinto falta, mas  a Irlanda é minha casa hoje. Me vejo aqui nesse momento como pessoa e profissionalmente. Tenho planos de um doutorado em alguns anos também no exterior, enfim quero dar o melhor que eu posso. Porém também não vejo a Irlanda como um país para morar para sempre, hoje quero ficar aqui por objetivos profissionais. Em alguns anos pretendo voltar ao Brasil, criar família lá. O Brasil é maravilhoso, certamente voltarei em algum momento.

E como você enxerga o momento atual do Brasil daí?

É muito triste, mas vejo que o mundo inteiro está nessa onda conservadora maluca. Aqui na Irlanda se discute muito o Brexit, visto como um movimento anti-imigrante e xenofóbico por parte da Inglaterra. Mas o Brasil esta sofrendo um baque muito intenso. Eu não consigo ver o Brasil assim pra sempre, acredito que somos maiores, é doloroso, mas é necessário para nossa evolução. Tem muitas coisas boas acontecendo também. Fomos muito alienados muito tempo e agora temos que colocar as coisas para fora e discutir. A gente sofre estando aqui, mas não tanto, não é a mesma coisa. Eu me sinto mal as vezes por estar aqui em um momento tão importante para o Brasil, bate uma sensação de impotência. Sinto falta de ir aos protestos, fazer algo mais palpável, sabe? É frustrante. É sim um privilégio acompanhar de longe, mas frustrante de certa forma.

E como os irlandeses estão vendo essa situação?

Eles acham algo absurdo o que acontece no Brasil. Na época das eleições, estava muito estressada e ansiosa. Minha chefe me perguntou sobre, dei uma breve explicação e ela se assustou, falou que na Irlanda ele jamais teria força para ser candidato à presidência. Apesar dos casos xenofóbicos, os brasileiros são queridos aqui. Eles nos veem como um povo alegre, caloroso, educado. Os irlandeses não entendem como todas essas coisas ruins acontecem no Brasil, de uma forma até meio ingênua. Eles se chocam com a realidade brasileira de intolerância, violência, desigualdade social, corrupção.

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